
Após a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinar nesta quarta-feira (10) que seja solto imediatamente o pedreiro de 37 anos acusado em 62 ações penais a partir apenas do reconhecimento fotográfico, pela Polícia Civil do Rio, sua família o espera ansiosamente para que ele saia do Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Norte, ainda nesta quinta-feira (11).
Negro, Paulo Alberto da Silva Costa é réu por vários crimes e está preso desde 2020. Ele foi preso em casa, após ser revistado por policiais que faziam uma operação na região.
Ele é alvo de 70 inquéritos por crimes em cinco cidades do RJ, os quais já originaram 11 condenações, sendo 4 delas com o trânsito em julgado.
Em todos esses casos, a autoria do crime foi comprovada exclusivamente por reconhecimento feito por foto pelas vítimas em datas posteriores aos crimes. A Polícia Civil do RJ não produziu outros indícios que pudessem incriminá-lo.
Durante o julgamento, os ministros apontaram um caso claro de racismo em todo o processo conduzido pela Polícia Civil, Ministério Público e Justiça do Rio. Eles destacaram e criticaram a inclusão da foto de Paulo no álbum de suspeitos da Polícia Civil.
“Essa situação nos mexeu com a alma, nesse dia. Porque, talvez, esse julgamento comece a mudar isso (reconhecimento apenas por foto). Com essa providência de também envolvermos a Corregedoria de Polícia para tentarmos construir uma polícia mais atenta a essas questões. Precisamos disso”, disse o ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas.
Filho pediu que família provasse sua inocência
A dona de casa Maria José Vicente, mãe de Paulo, lembra que durante todos os anos, o filho implorava para que a família provasse sua inocência.
“Ele pedia para tirar ele daqui ‘pelo amor de Deus”. Eu sempre disse para ele que ele sairia desse lugar e que a justiça seria feita. No momento em que ele foi preso, ele chorava e falava com a companheira que era inocente. (No dia da prisão), eu falei com o policial que o meu filho era inocente. Mas, ele falou que teria que levar o Paulo. Mas, eu falei que o meu filho voltaria”, conta dona Maria José, que completou: “Deus é justo e não falha”.
Por ordem dos ministros, Paulo terá que deixar a cadeia imediatamente. A família já o aguarda na porta da cadeia onde ele está, em Bangu. Paulo é pai de dois filhos menores.
“É uma emoção muito grande. Uma felicidade em saber que meu filho vai sair desse lugar. Eu não vejo a hora desse momento. A gente sempre falava para os filhos dele que o pai iria chegar. Hoje será diferente. Ele vai chegar e abraçar os filhos dele”, completou a dona de casa.
Instituto identificou irregularidades na investigação
O caso de Paulo foi identificado pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) e levado ao STJ em parceria com a Defensoria Pública do Rio.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/A/r/eu5x4SR8aYQF2g6He9jg/bdrj-limpo-20230511-0540-frame-272139.jpeg)




