Bahia

Mais de dois anos após crime, dois réus pelo assassinato de Mãe Bernadete são julgados em Salvador

O júri popular dos acusados pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete está previsto para esta segunda-feira (13), em Salvador. O crime aconteceu em agosto de 2023, no quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.

No momento do crime, Mãe Bernadete estava dentro da própria casa, com os três netos. Dois homens usando capacetes entraram em imóvel, tiraram os netos da ialorixá da sala e efetuaram 25 disparos. O inquérito policial concluiu que o crime foi cometido a mando de um chefe do tráfico de drogas na região.

Ao todo, seis homens são suspeitos de envolvimento na ação, mas apenas dois deles serão julgados nesta segunda-feira: Arielson da Conceição dos Santos, que está preso, e Marílio dos Santos, que está foragido.

De acordo com as investigações, Marílio é apontado como chefe do grupo criminoso, enquanto Arielson é suspeito de executar Mãe Bernadete. Os dois foram denunciados por homicídio qualificado com motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, além de feminicídio e crimes correlatos.

Inicialmente, o julgamento havia sido marcado para 24 de março, mas foi adiado após o pedido da nova defesa dos réus, segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

Investigações

 

Seis homens são suspeitos de envolvimento no crime. Veja o que se sabe sobre a atuação de cada um deles:

➡️ Marílio dos Santos: apontado como chefe do grupo

Chefe do tráfico de drogas da região, ele teria mandado matar Mãe Bernadete por causa da oposição que ela fazia às ações criminosas do grupo.

Apesar de seguir foragido, a Justiça determinou que Marílio vá a júri popular porque tem advogado constituído.

➡️ Arielson da Conceição dos Santos: suspeito da execução

Está preso preventivamente e vai passar pelo júri popular nesta segunda-feira.

➡️ Josevan Dionísio: suspeito da execução

Josevan foi preso em setembro de 2025, dois anos após o crime, ao fazer a companheira e dois filhos reféns em Simões Filho.

Ainda não há data para o julgamento.

➡️ Sérgio Ferreira de Jesus: suspeito de receptar os celulares

No dia do crime, os celulares de Mãe Bernadete e dos familiares dela foram roubados. Sérgio teria sido o responsável por receptar esses aparelhos.

Além disso, ele é apontado como instigador do crime, após um desentendimento motivado por uma bronca da líder religiosa. Ele teria apontado aos executores a melhor rota para matar a líder quilombola.

Ainda não há data para o julgamento.

➡️ Ydney Carlos dos Santos de Jesus: suspeito de auxiliar no plano

Antes de ser morta, Mãe Bernadete teve uma discussão acalorada com Ydney, que era dono de uma barraca que realizava festas para comércio de drogas na região. Ele é apontado como uma das chefias do tráfico e suspeito de auxiliar no plano.

Ainda não há data para o julgamento.

➡️ Carlos Conceição Santiago: suspeito de dar fuga

Ele é suspeito de ter armazenado as armas utilizadas no crime e de ter dado fuga a Arielson.

Ainda não há data para o julgamento.

Família foi indenizada

Em 2025, os familiares de Mãe Bernadete entraram com uma ação indenizatória contra a União e o Governo da Bahia. O processo aponta falhas que levaram ao homicídio da ialorixá e problemas que ocorrem depois do crime.

O g1 teve acesso ao documento no qual a defesa da família pediu a quantia de R$ 11,8 milhões por danos morais para os três netos que estavam com a vítima no dia do crime e uma filha da liderança quilombola. A mulher é mãe dos jovens.

Na época do crime, a ialorixá estava sob proteção da Polícia Militar, por meio da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH) há pelo menos dois anos. Na ação indenizatória, há denúncias contra o governo federal, governo estadual e ao programa de proteção.

Em fevereiro deste ano, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) informou que os pagamentos referentes à indenização aos familiares de Mãe Bernadete foram concluídos. Apesar disso, o órgão detalhou que o valor dos pagamentos é confidencial.

O caso foi conduzido pela PGE e foi solucionada por meio de um acordo administrativo e o filho da líder religiosa, Jurandy Pacífico, destacou que a ação tem um caráter protetivo, além de simbólico.

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